Repare o tempo em qualquer parte
e deixe o toque ouvir cada momento.
Tire a luva invisível
e sinta sob a máscara invisível do meu rosto
o gosto que eu fiz para você
durante todo o tempo:
de esperas
de segredos
de medos
de recuos, desencontros, desesperos
(em suma, de desejos).
Releve a ruga, a barba por fazer e algum cabelo branco
(brinque-me.
Pela janela, além da brisa, só a noite).
Pare no meu queixo e aí queira a sua boca.
Só não deixe que um beijo lhe sacie,
lhe baste,
porque um beijo rouba a história de outros beijos
e eu quero do beijo o motivo
vivo
porque sou feito de ânsias, de antes, nunca de depois
(e eu com essa cara de depois...).
Toque-me os ombros,
mas não tire o peso que imagina que eu carregue.
Todo o peso eu trago nos olhos
—testemunha dos instantes em que você não veio.
Experimente as minhas mãos.
Aqui o aparente frio me desmente.
queimando, ainda, o cheiro da sua.
Mire-me os olhos
e deixe-me ficar.
E essa brisa eu já nem sei se é de mim quando respiro
ou de você quando se vai.
Antoniel Campos
